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Para assinalar esta data, deixo aqui um poema, do colega José Amaral, que retirei deste livro.

O país vive anestesiado
numa dor imposta
pela lei do "manda quem pode,
obedece quem deve".

Na gaiola da opressão,
e enquanto o silêncio
do bâton azul do lápis
serve para postergar
a Liberdade de expressão,
a velha ave de rapina
cai da cadeira.

O povo esperançado,
pela queda do velho senhor,
procura na Revolução exorcista
solução para a dita dor.

in "25 Abril 34 Anos" de José Amaral, pg. 13


A tão anunciada chuva, afinal, apareceu...primeiro timidamente, mas depois...a propósito...deixo aqui um bonito poema do colega José Amaral
Simbologia
A chuva escorre lentamente,
pela vidraça da portada
do meu varandim;
tão lentamente que chega a assustar-me.
A chuva,
essa minha irmã franciscana,
faz desenhos no vidro.
Uns tristes, outros nem por isso.
Aquilo que mais me intrigou
foi uma série de rabiscos...
enigmáticos.
Primeiro uma forma esférica,
seguida por formas bélicas,
e, logo após, figuras humanas.
Estas caídas!
Aquela sequência, intriguista, continuava.
Daquelas figuras humanas,
corria um rio. largo e incessante,
de uma cor rubicunda.
Parecia-me sangue.
Sim, era! Não me equivocara.

A chuva recomeçou,
desta vez violentamente,
a bater na vidraça.

Agora chovia intensamente
e o caudal rubicundo,
das figuras intriguistas,
aumentava escandalosamente.

A vidraça não aguentou
tamanho ataque.
Quebrou-se.
A minha cela ficou inundada.
Vermelhidão por todo o lado.
Eu entreguei a Alma ao Criador.
E, boiando naquele líquido amargo,
de ódios e rancores,
adormeci, torpemente, para sempre.
in "Poder da Díctamo", pg. 80 e 81




Em homenagem ao Verão, deixo aqui um bonito poema do colega José Amaral ...

O dia clareou.
o Sol brilha intensamente,
os pássaros chilreiam,
as crianças em brincadeiras animadas,
divertem-se.

Jogam à bola,
ao pião.
com o arco,
à apanhada,
à cabra-cega.

O Sol vai a pino,
o estio é cruel;
os raios de Sol
beijam-nos, viventes,
carinhosamente,
mas a canícula não perdoa.

É necessário procurar uma sombra,
uma cascata de água fresca.

Vem-me, então, à mente
o desejo de me deitar à sombra
de um amiero, à beira-rio,
a pescar.

Sem camisa,
em calções,
refrescar-me-ía
e…
bendiria
o Sol “abensuado”
deste Verão.

Alfim Verão.
como é belo o Verão.

In “Poder da Díctamo”, José Amaral



...chegou hoje, 21 de Dezembro, às 17 h e 47m e vai prolongar-se por 88,99 dias até ao próximo Equinócio que ocorrerá no dia 20 de Março de 2010 às 17 h e 32 m, de acordo com o Observatório Astronómico de Lisboa.

Deixo aqui mais um poema do colega Amaral sobre esta estação do ano.
Inverno
Aquele dia, aquele, amanheceu
contariamente ao habitual,
apenas enevoado,
lembrando o adágio popular:
"Março, Marçagão, manhãs de Inverno,
tardes de Verão".
Habituara-me naquele Inverno,
naquele,
a acordar com a chuva
a bater nas janelas.
Era lindo! Os vidros a escorrer,
lembravam-me lágrimas de mãe
que não podia dar de comer a seus filhos,
pois não tinha uma côdea sequer.
Havia outros dias,
os outros,
em que a borrasca era medonha.
Nesses, eu tinha medo.
O meu coração batia tanto
que chegava a confundir os trovões,
acompanhados de relâmpagos,
com o relanti do meu pobre
"relógio da vida".
Animava-me saber que naquele quarto,
uma cela humilde,
sem conforto,
aguardaria que passasse a tempestade
e viesse a bonança.
Assim se passaram
os meus Invernos,
até à data em que o homem
conseguiu (?) metamorfosear
os destinos meteorológicos.
José Amaral in "Poder da Díctamo" pg. 19


...para reflectir...
Poemas-5546

Fonte: Recados para Orkut - Clique Aqui!


Ao passar pelo youtube encontrei este bonito poema de Neimar de Barros que Vitor de Sousa interpreta de uma forma maravilhosa!
É uma triste realidade dos nossos tempos!



Adorei!